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Children of God - Third Day

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Dezembro

Naquele final de semana seria o casamento da minha irmã Lizzie, e também seria Natal. Achei uma combinação interessante, apesar de que um casamento na praia fazia muito mais o meu tipo. A neve caia sem parar, e eu agradeci mentalmente pelo aquecedor central da casa dos meus pais. Na sexta-feira a noite, meus pais estavam oferecendo uma espécie de coquetel pré-casamento para os convidados.
Fazia um ano desde a última vez que estive naquela casa, agora eu estava morando em meu próprio apartamento na cidade grande. E fazia exatamente um ano que eu não o via, estava dividida entre a saudade e o medo. A imagem do seu rosto estava tão viva em minha mente, como se eu tivesse acabado de vê-lo, e minhas pernas tremiam a cada vez que a porta abria para mais convidados entrarem. Eu tentava me lembrar de que a escolha de partir foi minha e me forçava a socializar com os convidados, só para logo depois me perder em meus pensamentos novamente.
Olhei para o relógio, a maioria dos convidados já haviam chegado. Suspirei profundamente, fingindo para mim mesma que era de alivio, mas sabendo que na verdade era por decepção. Andei até onde estavam as bebidas para pegar algo para minha garganta seca, quando ouvi a porta se abrindo mais uma vez. Eu não precisei me virar para saber que era ele dessa vez, aquela voz era inesquecível pra mim. Discretamente me juntei a um grupo de amigos da minha irmã. Mas não consegui agüentar por muito tempo, tive que olhar. E quando o vi todas as memórias e sentimentos voltaram, me invadiram e encharcaram.
Eu parecia uma adolescente boba, me xingava mentalmente e dizia a mim mesma para me recompor, mas não conseguia mais me concentrar em nada. Espiava ele pelo canto do olho, fingia estar distraída e ria das piadas que contavam pra mim, apesar de nem estar ouvindo-as com atenção. Ele estava mais lindo do que nunca, apesar das olheiras sob os olhos. Eu queria tanto conversar com ele, mas queria que ele viesse até mim. Afinal, eu não queria forçar a barra e precisava saber se eu ainda tinha alguma chance. Apesar de no fundo saber que minhas chances eram quase nulas.
Sem me agüentar mais, pedi licença a menina que estava tagarelando nos meus ouvidos algo sobre as novas tendências em cores, e fingi estar indo para qualquer lugar perto dele. Para minha sorte, ele estava conversando com a minha mãe e isso me daria uma ótima desculpa. Cheguei por trás dele, como se não o tivesse visto e comecei a falar diretamente com minha mãe:
- Mãe, acho que precisam de mais gelo lá nas bebidas. – Ok, a desculpa mais esfarrapada da história, quem iria querer mais gelo, enquanto a temperatura estava quase negativa no lado de fora?
- Gigi, querida, olhe quem está aqui. – Minha mãe era a única pessoa na face da terra que continuava a me chamar de Gigi depois que eu deixei de ser criança.
Eu jurei que iria desmaiar ali mesmo quando nosso olhar se encontrou. Mas ao invés disso, eu apenas sorri e disse:
- Oi!
Ao que ele respondeu:
- Oi!
Acho que nunca vivi uma situação tão constrangedora. Mas o pior veio depois, quando não sabíamos se apertávamos as mãos, ou nos abraçávamos ou arriscávamos um beijo no rosto. Como é estranho viver uma situação dessas com alguém que há algum tempo tinha-se tanta intimidade. Depois do nosso cumprimento desajeitado, minha mãe saiu para resolver o problema do gelo. Não duvido que ela tenha acreditado no meu papo furado, mas tenho quase certeza que ela queria mesmo era deixar nós dois sozinhos.
Ficamos um tempo sem jeito, sem saber o que falar e desejei ter pegado algo para beber quando ia fazê-lo, para ao menos saber o que fazer com as mãos. Então arrisquei:
- Então, Noah, como você está?
- Tudo bem, e com você? – Ele parecia um pouco frio, vago.
- Também...
Mais silencio constrangedor, aquilo já estava me deixando doida.
- E como estão seus pais? E a Julie? – De repente percebi que eu realmente estava interessada em saber. Eu adorava a família dele, e sentia muito a falta deles.
- Estão todos ótimos. Os negócios do pai estão cada vez melhor. E a Julie acabou de entrar para o Ensino Médio...
- Deve estar uma mocinha linda! Daqui a pouco arranja um namorado.
- Nem pensar! Ela só tem 15 anos, ainda é uma criança!
- Ah Noah, não banque o irmão mais velho super protetor. – Eu ri. – Aliás, eu era só um pouco mais velha que ela quando começamos a namorar.
O-ou! Fiquei muda depois desse último comentário infeliz. Olhei para o chão em busca de um buraco para enfiar minha cabeça.
- E como está a vida na cidade grande, Gio? Fiquei sabendo que você está trabalhando em uma editora.
Senti tanto alivio ao escutar a voz dele ainda tentando sustentar a conversa, tive vontade de beijá-lo ali mesmo.
- Está ótima, eu amo meu trabalho. Você sabe como eu sou apaixonada por livros, é um sonho realizado pra mim.
- E quando você vai publicar seu próprio livro?
- Ah, eu não sei se devo tentar. Vejo tantas histórias maravilhosas na editora que chego a ficar com vergonha dos meus rabiscos.
- Qual é, Gio, você é super talentosa. Não tenho duvidas de que você deveria tentar.
- Você acredita tanto em mim assim? – Perguntei rindo.
- Ainda mais. – Ele disse com o sorriso mais lindamente doce que eu já vi. Caramba, ele não estava ajudando, me dando ainda mais vontade de beijá-lo.
- Bom, eu estou escrevendo algumas histórias. Quem sabe, né... A Julie sempre gostou tanto de livros também. Ela veio com você? Eu gostaria de contar pra ela várias coisas legais que descobri e que faço lá na editora.
- Hum... A Julie não é uma das suas maiores fãns no momento. Ela meio que te odiou depois que você foi embora.
Eu entendia ela, sabe, eu meio que estava me odiando naquele momento também. Mas ainda assim, aquilo doía, Julie me adorava e a recíproca era verdadeira.
- Aham, tudo bem...
Então algo mudou no rosto de Noah, como se estivesse lembrando-se de alguma coisa, e ficou sério.
- Bom, eu vou cumprimentar os noivos, ainda não os vi. Mas foi um prazer te ver de novo Giovanna. – Sua voz voltou a ficar fria, cordial demais, e me fez estremecer por dentro.
- Claro, foi um prazer também.
Ele sorriu brevemente e saiu em qualquer direção. Minha intuição me dizia que eu sabia muito bem do que ele havia lembrado. Subi as escadas para fugir da multidão, eu sabia que não haveria ninguém no andar de cima. Entrei no banheiro e fiquei encarando a mulher loira no espelho por algum tempo, indagando a ela se foi uma boa idéia voltar. De qualquer forma, a culpa era de Lizzie, por que ela foi inventar de casar? Ainda mais em dezembro!
Tentei arrumar um pouco os cachos do meu cabelo, retoquei o gloss e voltei para o andar de baixo. Procurei Noah com os olhos, mas não encontrei. Olhei pela janela, havia parado de nevar, ao menos eu poderia respirar ar puro. Fui até o closet, peguei meu enorme e quente sobretudo, e me dirigi para fora. As casas estavam todas iluminadas com a decoração de Natal, me recostei na árvore em frente de casa para apreciar a vista.
- É bonito, não é?
Levei um susto ao ouvir aquela voz vindo do outro lado da árvore.
- Noah! Pensei que estava sozinha! – Olhei para seu rosto, mas ele olhava pra frente. Parecia ver as luzes, mas eu conhecia aquela expressão, sua mente estava longe. – Sim, é muito bonito...
- Lá na cidade grande devem ter luzes ainda mais bonitas. – Pode ter sido impressão, mas senti uma certa implicância na voz dele.
- Na verdade, não. Quer dizer, tem luzes assim também e tudo o mais, mas não é a mesma coisa, sabe? A decoração aqui é muito mais bonita, parece feita com amor, me lembra família, lar...
Ficamos em silencio por um tempo. Mas todo esse constrangimento já estava me sufocando. Antes de pensar direito, eu disse:
- Desculpa...
- O que? – Noah disse, pego de surpresa.
- Perdão.
- Pelo que? – Ele parecia surpreso e um pouco bravo ao mesmo tempo. Abri a boca para responder, mas percebi que ele não tinha terminado. - Por ter ido embora ou por nem mesmo ter avisado?
Ele estava magoado, e com razão. As lembranças da última noite apareciam nitidamente na minha cabeça.
- Por tudo... – Eu disse, e me esforcei para continuar no controle de mim mesma. Ele não respondeu nada, apenas baixou a cabeça para fitar a neve em seus sapatos. - Eu sei que não justifica, mas eu tinha medo de desistir se eu fosse me despedir.
- Você está certa, não justifica. Sabe, Gio, não se pode sair assim da vida das pessoas sem mais nem menos, sem avisar.
- Eu sei, foi uma decisão estúpida. Mas a gente tinha discutido e terminado naquela noite.
- E pela manhã, quando eu fui te levar flores e um pedido de desculpas, você tinha ido embora.
As lágrimas começaram a se formar em meus olhos, mas tentei fazer com que elas sumissem. Ele olhou para mim, seu olhar era tão profundo que me tirou o ar.
- Não tinha terminado de verdade pra mim, Gio. Eu... eu ia pedir sua mão em casamento...
- Eu sei disso... – Comecei a chorar, então. Eu sabia que ele me odiaria ainda mais depois de confessar aquilo. – Eu achei as alianças no seu quarto uma semana antes de eu ir embora.
Juro que quase consegui ouvir o ultimo pedacinho do coração de Noah se quebrando. Como o meu já estava todo em pedaços, só senti a dor dentro do peito. Tudo o que ele conseguiu dizer foi um “Por quê?” engasgado.
- Eu surtei, fiquei apavorada... Eu não queria ser como as pessoas daqui, as mulheres daqui... sabe, que casam e viram donas de casa... eu tinha sonhos, eu tenho sonhos... não queria ficar aqui... – Aquilo soou horrível aos meus ouvidos, e provavelmente aos dele também, afinal, nossas mães eram assim.
- Eu sempre apoiei seus sonhos.
- Eu sei, mas eu tive medo... Olha, eu nunca nem imaginei namorar tão cedo, e acabou acontecendo, eu me apaixonei por você perdidamente. Mas sabe, esses eram os sonhos da Lizzie, se apaixonar, e casar com o primeiro namorado, contos de fadas e coisas assim. Eu sempre quis ser aquele tipo de mulher independente, auto-suficiente. Eu queria viajar, eu queria minha profissão, eu sonhava com outras coisas diferentes... Eu queria ser livre.
As expressões no rosto de Noah indicavam que meu discurso não estava fazendo sucesso nenhum. Mas eu já não conseguia pensar direito, eu só conseguia chorar.
- Tudo bem, Giovanna, eu já entendi que não fazia parte dos seus sonhos e dos seus planos.
Ele virou as costas e começou a andar na direção da casa dele, que era uma casa depois da minha. Segurei o braço dele, e me coloquei na frente dele.
- Não é isso, Noah... – Eu tentei secar as lagrimas.
- Você sabe quantas vezes eu me perguntei o que eu fiz de errado? – Ele me olhou e tentou ir embora de novo, mas eu não deixei.
- Você não fez nada de errado, eu fiz! Eu fiz tudo errado! Fiquei com tanto medo, mas só depois que eu te perdi...
- Que você me deixou!
- Só depois disso, que eu percebi que de nada valeria se eu não pudesse dividir todos aqueles sonhos com você. Eu sinto tanta saudade! E eu me arrependi tanto, Noah...
- Mas já faz um ano, por que você não ligou? Por que não voltou antes?
- Porque eu tive medo de você não me perdoar, tive medo de vir e não conseguir mais voltar para o trabalho. Eu planejei falar com você de várias formas, mas eu não conseguia. Noah, eu desejo voltar no tempo o tempo todo, voltar a exatamente um ano atrás, mudar de idéia e ficar. Me perdoe por aquela noite, me perdoe por esse ano inteiro, me perdoe por ter medo de tudo, tá bom? Eu sei que não adianta de nada agora, mas... Eu ainda te amo. – Sentindo as lágrimas escorrendo depressa pelo meu rosto, tudo o que eu conseguia ver eram seus olhos cheios de sentimentos confusos. – Eu preciso saber se ainda há um lugar pra mim na sua vida, se você ainda... me ama...
Eu escondi meu rosto nas mãos e me deixei chorar, com medo da possível resposta. Ouvi ele chutando a neve, e dando um longo e profundo suspiro. Então ele começou a falar:
- Eu estava começando a achar que poderia ficar bem sem você, estava começando a acreditar que estava me adaptando a vida sem te ter comigo... – Sua voz parecia cansada, como se estivesse lutando há muito tempo. - Mas quando eu ouvi sua voz e meus olhos te encontraram, foi como se todo o esforço que eu fiz para te superar nesse ano todo se derretesse no mesmo instante. – Eu prestava atenção em cada palavra, mesmo sem ter coragem de olhá-lo novamente. – E então eu percebi que nunca vou me adaptar a viver sem você, sem encontrar seus olhos azuis brilhando ao me ver chegando, sem te ouvir falando sobre a nova história que quer escrever, sem sentir tua mão na minha, tua boca na minha... Sem sentir tua pele quente e macia. – Ele se aproximou e acariciou meu rosto, fazendo com que eu o encarasse. – Eu já vivi muito tempo no modo automático, Gio. Eu quero minha vida de volta, eu quero você de volta.
Senti o vento gelado que me atingia ser bloqueado por um corpo quente que me abraçava. Mas isso só fez com que eu chorasse ainda mais, pois sabia que não merecia aquele abraço.
- Eu nunca deveria ter te deixado, me perdoe... – Eu tentei dizer entre um soluço e outro. – Eu te amo, Noah...
Ele afrouxou o abraço para beijar minha testa, meu nariz e então minha boca. Seu beijo era urgente, e ainda assim, doce e gentil. Percebi que ele também estava chorando, porém, muito mais discretamente que eu.
- Não faça isso de novo, está bem? – Ele sussurrou pra mim, fazendo com que nossas testas ficassem coladas. – Eu não suportaria te perder outra vez.
- Nunca, nunca, nunca! – Eu o abracei tão forte, como se jamais fosse soltá-lo, e desejando exatamente isso. Eu não conseguia imaginar como eu havia conseguido sobreviver um ano longe dele, longe de nós.
- E só pra constar, eu ainda te amo também. – Ele disse com aquele sorriso lindo que fazia com que minhas pernas tremessem, e então me beijou novamente.



Back to December - Taylor Swift

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Canção de Ninar

A janela está aberta, deixando a brisa refrescante do mar invadir o quarto. Ele já está dormindo. Minha cabeça está descansando em seu peito, sentindo sua respiração bem perto. Tudo o que posso ouvir é o bater de seu coração e o burburinho das ondas se quebrando na praia. Sinto-me tão confortável, segura e tranqüila... Mas não consigo dormir, não quero dormir.
Elevo meus olhos para a face dele, e tento imaginar se estou em seus sonhos. Meu coração se agita um pouco, e não posso conter um sorriso. Não há nada mais, apenas eu e ele. Nós em nosso mundo, nossa vida, nosso momento, tudo nosso, todo nosso. Eu dele, ele meu. Poderia parar esse momento e vivê-lo de novo e de novo. Mas de qualquer forma, sei que estará vivo em meu coração para sempre.
Suspiro e fecho os olhos por um momento. Em uma oração silenciosa, agradeço a Deus por ele, por nós. Sinto que a alegria já não cabe mais no peito, e mais uma vez meus lábios sorriem. Aconchego-me mais em seus braços, e me sentindo a mulher mais feliz do mundo, adormeço finalmente, embalada pela canção de ninar que o mar sussurrava para mim.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

The Girl with Many Eyes

One day in the park
I had quite a surprise
I met a girl
Who had many eyes.

She was really quite pretty
(and also quite shocking!)
and I noticed she had a mouth
so we ended up talking

We talked about flowers,
and her poetry classes,
and the problems she’d have
if she ever wore glasses.

It’s great to know a girl
who has so many eyes,
but you really get wet
when she breaks down and cries.


Tim Burton

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Uma Carta Para Você

Oi querida. Eu não preciso perguntar como você está, porque eu sei. Mas eu gostaria de ouvir você desabafando comigo. Eu te observo o tempo todo, estou sempre por perto, mesmo você não percebendo minha presença. Sei exatamente a hora que você acorda, a hora que deita para dormir. E sei também quanto tempo demora até que você finalmente consiga cair no sono. Eu vejo você se arrumando para sair e como se preocupa com a sua aparência. Sei como é importante para você que seu vestido esteja curto o bastante, ou o decote da blusa grande o suficiente, para chamar a atenção daquele garoto, que realmente não se interessa por nada além do que o vestido e o decote podem mostrar. E, é claro, todas as suas amigas se vestem assim e você precisa acompanhá-las. Meu coração se parte ao assistir isso. Você vale muito mais, e merece algo muito melhor. Mas eu sei também, que a carência dentro de você é tão grande, e você deseja tanto receber atenção e carinho que nem percebe o que está fazendo consigo mesma.
Minha linda menina, eu tenho um amor imenso aqui, do tamanho exato do vazio dentro do seu peito. Só eu posso suprir realmente todas as suas necessidades, você apenas tem de dizer sim. Eu tenho reservado para você um verdadeiro príncipe, mas você precisa parar de beijar sapos. Eu quero te dar uma nova vida, onde você será verdadeiramente valorizada e onde, mesmo quando vier a tempestade, você se sentirá segura. Ah! Se você conhecesse o meu amor por você! Ele é imensurável, infinito, eteno. Não importa quantas vezes você erre, eu sempre estarei de braços abertos, te esperando para um abraço apertado.
Eu sei que o jeito do mundo parece mais fácil e rápido, mas o meu é o mais seguro e bem sucedido. Confie em mim, jamais alguém poderá te amar como eu amo. Você é preciosa demais para mim, e eu nunca faria nada para o seu mal. Confie em mim, querida.
Com todo o amor...                
Deus.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Baú de Memórias

- Sophie? – Adam deixou sua voz ecoar pelo apartamento, enquanto fechava a porta atrás de si. – Está em casa?
Ele havia recebido uma mensagem urgente da esposa. Mas as luzes apagadas indicavam que a casa estava vazia. Era só o que lhe faltava, ter saído mais cedo do escritório por bobagem. Os dois andavam tendo alguns problemas, discussões e as coisas não estavam melhorando. Adam pode prever mais uma briga se aproximando.
Porém ele teve uma surpresa ao ligar as luzes. Um caminho de flechas cuidadosamente cortadas em papel vermelho indicavam uma direção. Havia pequenos coraçãozinhos espalhados pelo chão também. Com uma sobrancelha levantada, Adam seguiu as flechas intrigado. A última seta apontava para a porta fechada do quarto do casal. Ele estava confuso, mas muito curioso, e abriu a porta.
No mesmo instante, um lindo sorriso se abriu no rosto de Sophie, que o esperava sentada na cama, rodeada de papéis e alguns objetos.
- O que é isso?
- Bem vindo, amor. – Sophie levantou-se, então ele percebeu que ela estava usando o mesmo vestido do primeiro encontro deles. – Isso é uma viagem ao túnel do tempo.
Segurando a mão do marido, ela o fez se aproximar da cama. Ele notou pétalas de rosa pelo chão. Eram tantos detalhes para perceber ao mesmo tempo, que ele não conseguia acompanhar.
- Eu encontrei a caixa onde guardei todas as nossas lembranças. – Ela sorriu docemente. Ao vê-la assim, Adam arrependeu-se por ter se irritado antes, por algo tão bobo. – A primeira coisa que eu vi foi esse papel de bom-bom. Você lembra quando me deu? A gente ainda estava na escola. Foi tão fácil me apaixonar por você... Você fazia ser fácil. E dentro do meu livro de poesias, eu encontrei a primeira rosa que você me deu.
Adam não sabia o que dizer, as lembranças vinham com mais força conforme a doce voz de sua esposa alcançava seus ouvidos. Sophie tinha em seus olhos um brilho que ele não via há algum tempo.
- Foi a noite do nosso primeiro beijo. – Ela riu e complementou. – E do segundo, e terceiro e quarto... E eu soube que seria a única boca com a qual eu gostaria de partilhar meus beijos.
Colocando-se na ponta dos pés, ela alcançou seus lábios aos dele para depositar um delicado beijo. Adam passou os braços pela cintura dela e a trouxe para mais perto.
- Por que tudo isso? Quero dizer, por que agora? Não que eu não tenha gostado, eu estou encantado, sinceramente. Mas, sabe, depois da briga hoje de manhã...
Sophie suspirou e afastou as lembranças na cama, para abrir um espaço para os dois sentarem.
- A briga de hoje foi a gota d’água. Depois que você saiu para o trabalho, eu nem consegui ir para o meu. Liguei para minha chefe e pedi o dia de folga. Eu estava tão furiosa que não conseguia parar quieta. Só conseguia pensar que eu não agüentava mais, que eu estava cansada, que eu precisava de um tempo. Resolvi ir correr pra esfriar a cabeça. Mas quando eu entrei no closet o meu baú me chamou a atenção. Alguma coisa me fez abrir e remexer no conteúdo. Acho que foi Deus... – Ela sorriu. – Enquanto eu encontrava tantas coisas esquecidas, lembrei de como nos apaixonamos. Lembrei de toda a trajetória da nossa história e de como chegamos até aqui. Entendi que não se trata de mim, e sim de nós. Sabe, é uma idiotice querer parar por causa de um obstáculo.
Passando a mão por uma carta que ele escrevera para ela enquanto ainda eram namorados, Adam disse:
- Nós lutamos tanto um pelo outro, não foi?
- Sim. E eu não vou deixar de lutar agora. – Ela entrelaçou seus dedos com os dele. 
- Eu fico feliz por saber disso, porque eu também não vou parar. Não conseguiria aprender a viver sem você.
- Me perdoa por hoje de manhã.
- Me perdoa também! – Adam a puxou para um abraço. - Eu te amo, Sophie. Eu sempre vou amar.
- Pela eternidade? – Ela buscou os olhos dele.
- Por toda eternidade, e mais um pouco, minha linda. – Ele respondeu, recordando as promessas escritas nas cartas que eles trocavam. Beijando-lhe os lábios, sussurrou: - Que tal desocuparmos o resto da cama agora?
Com uma gargalhada divertida, ela afastou todo o conteúdo a volta deles, até caírem no chão. Voltando-se novamente para ele, colocou os braços em volta do pescoço de Adam.
- Eu te amo, Adam Scott, e sempre vou amar!
Sentindo seu coração agitado, mas de uma forma tão boa, como não sentia há semanas, Adam beijou o sorriso encantador de sua esposa.


I Just Can't Live a Lie - Carrie Underwood
 



P.S.: Gente, amanhã é o ENEM, orem por mim, viu? Estarei mais presente assim que essa fase de provas passar. Amo vocês, saudade. 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A Porta Trancada

Lauren olha em seu relógio e percebe que está na hora de seu encontro com Deus. Prepara-se e se ajoelha em frente ao Altíssimo. Adorando-O e rendendo louvores a Ele, ela se prostra e diz:
- Oh Senhor amado, seja engrandecido, só Tu és digno!
- Bem vinda, querida! – A voz de Deus inunda todo o local. – Meu coração se enche de alegria por tê-la em minha presença.
- Minha vida é Tua, Pai, rendo-me a Ti! Faça-me segundo a Tua perfeita vontade.
- Vamos ver como está esse coração... – Com um esplendoroso sorriso, O Todo Poderoso prossegue. - Vejo que está realmente inclinada a viver para mim e me servir. Mas para que isso aconteça plenamente, preciso entrar em uma sala de seu coração a qual a porta está trancada. Destranque-a e assim poderei tratá-la.
Nesse momento Lauren desvia o olhar para o chão e senta.
- Sabe o que é, Senhor, é que não precisa tocar nessa área da minha vida. É passado e prefiro deixar ele quietinho.
- Filha, para a obra ser completa preciso tratar todas as áreas de seu coração.
- Então trate, Senhor. Meu coração está aberto aos Teus cuidados... Menos essa sala trancada.
- Lauren, por que tens tanto medo?
- Ah Deus, é uma área tão dolorida. – Ela confessa e suspira. – Não gosto nem mesmo de lembrar que essa sala existe.
- Querida, se me deixar sará-la, não sentirá mais dor.
- Mas para tratar, o Senhor teria de tocar nessa área e... dói tanto!
- Eu conheço todas as dores. Meu próprio Filho carregou todas as dores do mundo sobre si, mesmo não merecendo nenhuma delas. Sei que pode ser dolorido no começo, mas se não me deixar abrir a porta, isso vai continuar sendo sempre uma barreira em sua vida.
Lauren pensava, mantinha-se em silencio, fitando o chão.
- Filha, quem sou Eu?                             
- O Todo Poderoso, o único e verdadeiro Deus.
- Sim. A minha vontade é boa, perfeita e agradável*. Não confias em mim?
- Confio, Pai.
- Eu a amo como ninguém jamais poderia amar, eu criei você, tenho todos os dias de sua vida escritos no meu livro**. Por que achas que faria qualquer coisa para prejudicá-la?
Lauren ajoelha-se novamente e se prostra. Com olhos úmidos ela fala:
- Sim, Pai. Perdoe minha resistência. Sei que preciso deixar tudo em Tuas mãos. Só o Senhor sabe o que é melhor para mim. Mais uma vez, eu entrego minha vida em Tuas mãos, mas dessa vez, sem reservas. – Ela suspira. – Não lutarei mais, e não tentarei mais deixar nenhuma porta trancada.
Levantando-se então, Lauren se dirige até Deus, para Lhe entregar a chave e receber um reconfortante abraço de amor do Pai.

Trust You - Brandon Heath


*Romanos 12:02
** Salmos 139:01-18

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Dia de Sol

Era o primeiro dia ensolarado em semanas. O frio enfim resolvera partir para dar lugar a um clima quente e agradável. A última coisa que queríamos era ficar em casa, então fomos dar uma volta no parque. Depois de algumas voltas e um sorvete, resolvermos descansar. Sentei sob a sombra de uma árvore recostando-me no tronco da mesma, e ele deitou na grama, descansando a cabeça em meu colo.
- Eu já estava com saudade do Sol. – Eu disse sorrindo, sentindo minha pele quente.
- Suas bochechas estão vermelhas. – Ele disse levantando a mão para alcançar meu rosto.
Eu sorri ao sentir o toque de seus dedos, e encontrei seu olhar. Olhamos-nos em silencio, até que ele abaixou o braço e fechou os olhos. Comecei então, a acariciar aquele rosto lindo, que sempre fazia meu estomago dançar dentro de mim com simples gestos. Seus lábios subiram levemente, formando um sorriso quase tão doce quanto o amor que eu nutria dentro do peito.
Deslizei a mão por seus cabelos e depositei um beijo em sua testa. Pensei em levantar novamente, mas acabei encostando nossas testas e fechando os olhos por um instante. Quando decidi por fim voltar a me escorar na árvore, senti a mão dele em minha nuca, impedindo-me de levantar. Delicadamente, puxou-me de volta e depositou em meus lábios um beijo que falava tudo o que estávamos sentindo naquele momento. Com a outra mão, ele procurou e segurou a minha. Fomos sentando ao poucos, então nossas bocas separaram-se.
- Eu te amo. – Sussurrei, ao abrir os olhos.
- Eu também te amo. – Ele sussurrou de volta, encostando seu nariz no meu. – Muito.
Ele escorou-se na árvore, e eu em seu peito. Entrelacei nossos dedos, beijei-lhe a mão carinhosamente, e começamos a conversar, sonhar com nosso futuro.
Aquela foi uma tarde simples, sem grandes acontecimentos, mas ainda assim foi maravilhosa. Tudo fazia sentido, tudo estava em seu lugar. Pertencíamos um ao outro, sem mais complicações. Eu em seus braços, ele em meu coração.